Grande Avenida Adhemar Pereira de Barros

avenida

Como é bom relembrar minha época de infância, parecia que a Avenida Adhemar Pereira de Barros existia apenas para que meus amigos e eu pudéssemos brincar. Quantos bons momentos passamos por lá.
As mamoneiras e tantas outras árvores, eram perfeitos esconderijos quando brincávamos de esconder. Alguns passavam horas nos topos das árvores, sem serem descobertos. Onde hoje, no asfalto, transitam tantos carros, havia um grande campo de futebol, onde apostávamos corrida, brincávamos de carrinho de rolimã, construídos por nós mesmos. A poeira subia e nós descíamos campo afora, todos gritando em uma grande algazarra.
Não havia escolas por perto. Era preciso sair de madrugada, atravessar toda a avenida, para então chegar até o ônibus que nos aguardava. Era aquela correria para chegar a tempo. O que porém, nos fazia andar mais rápido, era o medo dos lobos do mato que andavam por ali. Com a escuridão da noite ainda se fazendo presente, a caminhada parecia um filme de terror. Próximo do ponto onde embarcávamos no ônibus, o medo aumentava, as únicas casas na avenida, apenas umas cinco ou seis, já haviam ficado bem distantes.
Os dias se passavam na espera pelos finais de semana. Poder encontrar a turma para uma boa competição de futebol, entre risadas, brigas e sempre muita poeira! Depois das brincadeiras, era hora de ir para casa almoçar. Quanto era o sacrifício para que tivéssemos um bom almoço na mesa. Atravessávamos toda a avenida, que parecia naquele momento muito maior do que realmente era, para então chegar até a venda mais próxima e comprar os alimentos. Mesmo assim, até isso se tornava uma diversão, meus irmãos e eu apostávamos corrida e na volta para casa não sabíamos se corríamos ou segurávamos as sacolas.
Quando chovia, a avenida se tornava um lamaçal, mas nem por isso deixávamos de brincar. O que se via eram crianças pulando, deitando e rolando na lama. Como era bom… chego a sentir novamente toda aquela lama grudada em minhas roupas e por todo o corpo! Depois era aquela fila para tomar banho!
Grande Avenida Adhemar Pereira de Barros… hoje em dia ninguém imagina o que ela já foi no passado. Tão deserta, mas tão cheia de histórias. As mamoneiras deram lugar às casas; o campo, asfalto cinza e sem vida. No matagal, supermercados, farmácias e lojas, o progresso fazendo o seu papel. Debaixo do asfalto cinza, nas luzes da iluminação, tantas coisas boas guardadas, doces lembranças… doce saudade!

Aluno: Mariana Cristina Pereira 8º ano C
Memórias Literárias

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